Respeitando e revolucionando

Antes de mais nada, não! Eu não estou aqui para criticar ou apoiar as últimas manifestações, apesar de eu ser a favor do movimento e ter uma opinião formada sobre os recentes episódios. Quero apenas aproveitar, enquanto uma das discussões em questão é o transporte público, para expor uma opinião fundada em 7 anos de experiência diária nessa vida de ônibus, trem e metrô.

Todos nós já pegamos, estamos pegando ou um dia vamos pegar transporte público na vida. Sabemos que a qualidade do serviço que nos é oferecido infelizmente não condiz com o preço que pagamos na passagem.

Eu mesma, que além do transporte municipal de São Paulo  dependo de linhas intermunicipais, já passei por episódios lamentáveis, a ponto de aguardar longos períodos de tempo por um ônibus em uma parada atendida por cerca de 7 linhas, sendo que qualquer uma delas me serviria, ter que desembarcar de um outro veículo, nem na metade do meu trajeto, pois este estava infestado de mini baratas, ser completamente ignorada por inúmeros motoristas e um deles inclusive prender minha perna na porta porque eu, teoricamente, não tinha dado sinal (sendo que eu estava dentro do ônibus e havia descido para que as pessoas pudessem desembarcar).

Porém, cientes dos problemas a que TODOS são submetidos, percebo que uma grande falta de bom senso dos usuários acaba por tornar nossa viagem ainda mais caótica. Como assim!? Exemplifico:

  • Às vezes saímos cansados, depois de um longo e estressante dia de trabalho e, a única coisa que queremos, é voltar confortavelmente para nossas casas. Porém, nada nos dá o direito de tirar o que é de direito das pessoas, seja ela idosa, deficiente, gestante ou obesa. Se existe o assento preferencial ele deve ser respeitado, e pasmem, por AMBAS as partes. Você idoso, deficiente, gestante ou obeso, se ao entrar em um meio de transporte encontrar um assento comum e um preferencial disponível, aproveite o seu direito e use o lugar reservado para você.
  • Seja rock, pop, funk ou sertanejo. Música é um gosto pessoal e não deve ser compartilhado à força com dezenas de pessoas desconhecidas. E não, nem suas músicas divinas têm um desconto nessa regra. É proibido e, principalmente, bem desagradável. E, desculpa, mas não é possível que seu super ching-ling 4S com câmera de 389 mega pixels, android, TV e GPS não venha com um fone de ouvido. E se por um acaso não tiver, R$ 5 na 25 de março (fica a dica).
  • Imagina a cena: 18h. Estação República, linha 3 – vermelha do metrô. Tudo ocorre bem no meio da aglomeração. Eis que chega ele – O METRÔ VAZIO! Abrem-se as porteiras e a boiada ignorante desgovernada se matando para entrar naquele trem como se fosse o último de suas vidas. Não, eu não julgo o tempo das pessoas. Às vezes estamos atrasados para algum compromisso por problemas X ou Y. Mas isso não nos dá o direito de praticamente agredir o próximo aos empurrões.  Esse foi só um exemplo. Pode vir trem cheio, trem vazio, trem meio termo que as pessoas estão lá se socando cada vez mais. Lembre-se que estamos tratando de transporte público, e não de embalagem a vácuo móvel para pessoas.
  • Escadas rolantes, fixas e rampas das estações também devem ser respeitadas e utilizadas corretamente. Se existem dois espaços delimitados, por exemplo, significa que um lado é para quem deseja subir, e o outro para quem precisa descer. Procure também deixar a esquerda livre para os apressados de todo dia.
  • Se você está em sentado em um ônibus e vai desembarcar na última das paradas, permita que quem veio em pé, chacoalhando e sendo esmagado pelos outros passageiros, desembarque primeiro. Um minuto a mais, um a menos não vai mudar tanta coisa na vida de alguém que veio babando com a cabeça encostada na janela.
  • Por fim, se seu intuito é protestar por um transporte melhor, por redução de tarifas e etc, não destrua o patrimônio. Pense que aquele poderia ser mais um ônibus na linha que te deixa na porta de casa e você reclama pela falta de carros.

Se estamos lutando por um mundo melhor, vamos começar a mudança pelas nossas atitudes. Nem eu, nem você somos pessoas perfeitas. Cometer erros é normal. Mas eu já dei o primeiro passo a ponto de por a mão na consciência e perceber que aquilo que me incomoda pode incomodar o próximo caso eu o faça.

Esse texto é sobre o cotidiano no transporte público, mas a reflexão se aplica às filas de banco, problemas de trânsito, dia a dia na escola e no trabalho e todo tipo de situação na qual se envolvam outras pessoas. Respeitando o próximo estamos, acima de tudo, nos respeitando e firmando o direito de partir para a luta. Comece uma revolução também em você!

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